A
realidade do sistema educacional brasileiro, em regra, manifesta uma visão
ideológica e alienada as quais são fruto de uma realidade política, econômica e
social. Esta situação não se evidencia do acaso, no entanto, se confirma pelos
fatos históricos vividos pela sociedade, que fizeram da educação brasileira um
sistema que, lamentavelmente, ao invés de formar profissionais com uma visão
crítica da realidade, criam professores que passam aos alunos um conhecimento
decorado, levando a sala de aula a não ser um local de pensamentos reflexivos,
mas um ambiente de mera reprodução de ideias.
Marcio Ferrari, editor da
revista Nova Escola, diz do seguinte em relação a Paulo Freire: “Ele dizia que,
enquanto a escola conservadora procura acomodar os alunos ao mundo existente, a
educação que defendia tinha a intenção de inquietá-los”.
Infelizmente,
são poucos os professores no mundo real que buscam ser um personagem
transformador em virtudes de diversos motivos, tais como: a discriminação
política que reflete nos baixos salários, as agressões físicas e verbais de
alunos contra professores por falta de uma estrutura familiar, a grande
carência de recursos como alimentação, materiais escolares, brinquedos, etc
Conforme
o entendimento de Maria Lúcia Arruda Aranha (2006, p.33):
A
educação não pode, portanto, ser considerada apenas um simples veículo
transmissor de saberes e valores, mas também um instrumento de crítica dessa
herança. A educação deve abrir espaço para que seja possível a reflexão crítica
da cultura.
São
diversos os fatores que desmotivam a grande massa dos educadores brasileiros,
sendo o maior deles o fator político tendo em vista que é através dele que se
elaboram as leis e se proporcionam recursos para as mais diversas áreas da
educação. É evidente que o governo não tem interesse na boa educação do país,
pois é mais confortável para ele que um indivíduo seja ignorante mantendo, com
isso, a imensa desigualdade social do que se torne um ser pensante que busque
melhorias e confronte as irregularidades do governo.
Contudo, mediante os problemas apresentados, a
pessoa que escolheu a área da educação como profissão deve ser consciente dos
problemas que sofrerão no decorrer da sua vida. Isso quer dizer que o educador
deve ter uma atitude que preserve pela ética em respeito a formação adequada
dos seus alunos independentemente das dificuldades que o cercam.
Além
do mais, a falta de bom senso dos educadores pode os levarem a não serem
intelectuais transformadores na medida em que eles usarem o senso comum para
fazerem juízo de valores com seus alunos aprovando ou reprovando suas condutas
e, também, sejam profissionais alienados ao não observar que o aluno não pode
ser programado pelo senso comum do professor.
Nas
palavras de Aranha (2006, p.47):
Ser
um educador intelectual transformador é compreender que as escolas não são
espaços neutros de mera instrução,
mas carregados de pressupostos que representam as relações de poder vigentes e
convicções pessoais nem sempre explicitadas.
Portanto,
o educador tem o dever moral de instruir seus alunos na condição de um
intelectual transformador não se tornando um profissional que aceite de maneira
cega o idealismo e a alienação como melhor forma de ensino.
Referências bibliográficas
ARANHA,Maria Lucia de Arruda. Flosofia
da Educação. Terceira ed.São Paulo:Moderna,2006-PLT 285.
http://revistaescola.abril.com.br/formacao/mentor-educacao-consciencia-423220.shtm
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